
QUANDO O AGENDAMENTO VIRA INTELIGÊNCIA DE CUIDADO
O MED. COS, um congresso organizado pela Associação Brasileira de Cosmiatria Reparadora em parceria com a Faculdade Boggio, é uma iniciativa científica e assistencial pioneira, que une alta excelência científica, educação médica continuada e responsabilidade social de alto impacto.
Nascida do compromisso de capacitar médicos o MED. COS destinou a renda do seu congresso para financiar ações sociais de atendimento médico e procedimentos reparadores gratuitos em comunidades de alta vulnerabilidade social. A iniciativa prova que a cosmiatria reparadora, somada à inovação tecnológica, é uma poderosa ferramenta de dignidade, acesso e transformação da saúde no Brasil.
APRESENTAÇÃO DO MÉDICO ENTREVISTADO
Prof. Dr. Ricardo Boggio é Médico Cirurgião Plástico, Doutor pela Universidade de São Paulo, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, possui MBA em Gestão pela Fundação Getúlio Vargas, além de Mantenedor da Faculdade Boggio e idealizador do MED. COS. Sua trajetória combina experiência clínica, produção científica e 15 anos dedicados à educação médica, consolidando uma metodologia de ensino fundamentada em ciência, prática supervisionada e evolução progressiva do aprendizado. À frente da Faculdade Boggio, lidera a formação e pós-graduação de médicos de todo o país. Como idealizador do MED. COS, alinha sua vocação médica e acadêmica à democratização de assistência médica reparadora de qualidade, combinando atendimento humanizado com inteligência artificial de ponta.
Ricardo Boggio, cirurgião plástico e idealizador do MED. COS, sobre a ação que
levou cirurgia a Paraisópolis e por que a IA entrou pela porta da triagem
Números e Indicadores da Ação MED. COS em Paraisópolis
Volume de Atendimentos: 226 pacientes acolhidos, triados e atendidos na comunidade de Paraisópolis em uma ação de 2 dias (utilizando a Unidade Móvel/Carreta com consultórios e centro cirúrgico em parceria com o Hospital de Amor de Barretos), com 25 cirurgias sendo localizadas no próprio local. Para isso, contou com 27 (vinte e sete) médicos voluntários diretamente envolvidos no atendimento à comunidade; Impacto Clínico: Mapeamento de lesões suspeitas, realização de biópsias, pequenos procedimentos cirúrgicos e encaminhamentos para tratamento de câncer de pele.
Divulgação e Demanda: Exposição nacional no Jornal Bom Dia São Paulo (TV Globo), gerando picos instantâneos de centenas de solicitações de agendamento por minuto.
Entrevista: “Quando o agendamento vira inteligência de cuidado”
1. Quando falamos em tecnologia na saúde, muita gente pensa em diagnóstico ou decisão clínica. Mas antes disso existe a jornada de acesso. Quanto processos como agendamento, confirmação e direcionamento ainda interferem na qualidade do cuidado?
Dr. Ricardo Boggio: Como médico cirurgião, aprendi ao longo de mais de duas décadas que o ato médico não começa no bisturi ou na prescrição; ele começa no primeiro contato do paciente com o sistema de saúde. Se o paciente encontra barreiras burocráticas, linhas ocupadas ou falta de orientação no agendamento, muitos desistem. Em patologias dermatológicas e lesões suspeitas de câncer de pele, essa demora ou desistência no acesso inicial pode significar a diferença entre um procedimento simples e uma cirurgia mutilante no futuro. A eficiência no agendamento é o primeiro ato de cuidado e acolhimento.
2. Para o paciente, agendar uma consulta parece simples. Para uma organização de saúde, o que torna esse processo mais complexo do que parece?
Dr. Ricardo Boggio: Por trás de um simples horário marcado existe uma logística médica rigorosa. Precisamos entender o perfil da queixa, a prioridade clínica, a disponibilidade da equipe especialista, os preparos prévios que o paciente precisa fazer e a capacidade física dos consultórios. Quando levamos uma infraestrutura cirúrgica móvel para uma comunidade como Paraisópolis, a complexidade é enorme: precisamos triar quem realmente necessita daquele atendimento prioritário, alinhar horários sem sobrecarregar a equipe médica voluntária e garantir zero ociosidade na carreta cirúrgica.
3. O que levou a Med.cos a considerar uma solução de agendamento 100% com inteligência artificial? Que problema vocês queriam resolver que os fluxos tradicionais já não resolviam bem?
Dr. Ricardo Boggio: Sabíamos que a divulgação através do Instituto Anglicano, que faz um excelente trabalho com mais de 1.200 crianças, e por consequência suas famílias diretas e indiretas, na Comunidade de Paraisópolis, e também pela nossa surpresa com divulgação do atendimento no Jornal Bom Dia São Paulo, e com entrada ao Vivo pelo SPTV na hora do almoço, a busca seria imediata e
A TECNOLOGIA APOIA, MAS NÃO SUBSTITUI A RESPONSABILIDADE
massiva. Se dependêssemos de um fluxo telefônico tradicional ou de uma equipe manual de recepcionistas, centenas de moradores de Paraisópolis ficariam sem resposta ou esperando em filas virtuais. A adoção da Agente Sistêmica com Inteligência Artificial permitiu atender todo mundo ao mesmo tempo, pelo WhatsApp, na linguagem simples do dia a dia do paciente, sem fila e sem frustração. A IA resolveu o problema da escala e da velocidade com humanidade.
4. Quando a IA conversa diretamente com um paciente, quais critérios são indispensáveis para que essa experiência seja segura, confiável e acolhedora?
Dr. Ricardo Boggio: O primeiro critério é a empatia e a clareza na comunicação. O paciente não quer falar com um robô frio que dá comandos numéricos engessados. A IA precisa compreender variações de linguagem, gírias e até mensagens de áudio, respondendo de forma acolhedora. O segundo é a segurança ética e de dados (LGPD): as informações de saúde são confidenciais. O terceiro é a precisão nas orientações: garantir que o paciente entenda aonde ir, que documento levar e como se preparar para o atendimento.
5. Em saúde, eficiência não pode ser medida apenas por velocidade. Como equilibrar automação, experiência do paciente, segurança da informação e possibilidade de intervenção humana?
Dr. Ricardo Boggio: A tecnologia deve servir ao ser humano, jamais o contrário. A automação assume a carga operacional e logística — a checagem de dados, a confirmação de horários e a organização da fila —, liberando a nossa equipe médica e de enfermagem para fazer o que a máquina jamais fará: olhar nos olhos do paciente, examinar, auscultar e acolher com calor humano. O equilíbrio está em usar a IA para tirar a burocracia do caminho e deixar o tempo livre para a relação médico-paciente.
6. Em quais situações a IA pode conduzir a jornada sozinha e em quais momentos ela precisa reconhecer seu limite e transferir para uma pessoa?
Dr. Ricardo Boggio: A IA conduz com excelência a etapa administrativa: coleta de dados, triagem de requisitos básicos, agendamento, envio de lembretes e orientações de localizador. No entanto, ela tem limites éticos e clínicos bem definidos. No momento em que o paciente relata um sintoma de urgência, dor intensa, alteração em lesão preexistente ou demonstra dúvida emocional complexa, o somente um profissional, seja médico, enfermeiro ou outro profissional do atendimento tem a capacidade de acolher e responder ao paciente, ainda nada supera o acolhimento humano com empatia e atenção personalizada que todos merecem.
7. Que tipo de dado uma solução de agendamento com IA pode revelar para a gestão da saúde? Ela ajuda a entender demanda, desistências, dificuldade de acesso ou comportamento dos pacientes?
Dr. Ricardo Boggio: Revela uma radiografia em tempo real da necessidade da população. Conseguimos identificar quais os horários de maior procura, quais as principais dúvidas da comunidade sobre saúde, por exemplo da pele, e os motivos que levam um paciente a faltar. Isso nos dá uma inteligência de gestão valiosa para recalibrar as nossas ações sociais, planejar os próximos congressos e direcionar o ensino na Faculdade Boggio para as reais dores da sociedade.
8. O que essa experiência ensina para organizações que ainda enxergam IA apenas como chatbot ou ferramenta de produtividade?
Dr. Ricardo Boggio: Ensina que a Inteligência Artificial na saúde é uma ferramenta poderosa de inclusão e responsabilidade social. Reduzir a IA a um mero atendente automático de corte de custos é limitar seu potencial. Na MED. COS, provamos que a IA é um instrumento de cidadania, capaz de levar organização e padrão de atendimento de excelência para quem mais precisa.
9. Olhando para o futuro, onde vocês enxergam as próximas aplicações relevantes de IA na jornada do paciente?
Dr. Ricardo Boggio: Enxergo a IA atuando no acompanhamento continuado do paciente após a consulta ou procedimento. Ela poderá auxiliar no acompanhamento pós-operatório, lembrando dos horários de medicação, colhendo relatos de recuperação, orientando sobre cuidados com curativos e acionando o médico diante de qualquer sinal de complicação. A IA deixará de ser apenas a porta de entrada para se tornar um assistente contínuo de cuidado.
10. Na sua visão, qual é o limite ético mais importante quando usamos tecnologia para facilitar o acesso à saúde?
Dr. Ricardo Boggio: O limite ético inviolável é entender que a tecnologia apoia, mas não substitui a responsabilidade e o diagnóstico médico. A relação médico-paciente e a soberania do julgamento clínico são insubstituíveis. Usamos a tecnologia para abrir portas e encurtar caminhos, mas o cuidado, a decisão terapêutica e a compaixão continuam sendo estritamente humanos.


