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Cultura | Valores

A CRISE REVELA QUAIS VALORES SÃO VERDADEIROS

Quando tudo está sob controle, é fácil dizer o que importa. Em 2020, a Unite descobriu o que era real

Página 61 da revista
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Página 62 da revista
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Final de 2019. Enquanto os primeiros rumores de uma nova e grave ameaça sanitária atravessavam a Europa, no Brasil o clima ainda era de incerteza e ceticismo. Poucos acreditavam que aquele vírus distante cruzaria o oceano com tamanha força. Contudo, assim que as festividades do Carnaval passaram, a realidade se impôs de forma devastadora: os casos explodiram e o país viu-se diante da maior crise de saúde pública do século. Na Unite, o sentimento geral era uma mistura de urgência, responsabilidade e apreensão. A pergunta que pairava nos corredores não era apenas sobre a continuidade do negócio, mas sobre a vida das pessoas que construíam a empresa todos os dias. Dez dias antes do decreto oficial de lockdown em São Paulo, assinado em 23 de março de 2020, a gestão da Unite tomou uma decisão crucial: antecipar- -se ao caos. A prioridade imediata foi proteger os colaboradores com comorbidades e aqueles do grupo 55+. A partir daquele momento, iniciou-se uma verdadeira corrida contra o tempo.

LINHA DO TEMPO DO DESAFIO

Início de Março/2020 > Proteção antecipada dos grupos de risco (55+ e comorbidades). Corrida Operacional > Substituição de desktops por notebooks e adequação estrutural. 23 de Março de 2020 > Início do lockdown e estreia da operação Univesp em Home Office.

A PROVA DE FOGO NO DIA D

A tensão operacional atingiu o ápice na data em que o país parou. Por uma marcante ironia do destino, o dia 23 de março de 2020 marcou o início do lockdown e, simultaneamente, a estreia da nova e estratégica operação da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Se o cenário já era desafiador, a semana anterior ao bloqueio trouxe um golpe de incerteza: assustada com o avanço do vírus, a Univesp cancelou abruptamente todas as reuniões e treinamentos presenciais previstos. A Unite viu-se diante de uma missão quase impossível: a partir de um compilado bruto de informações fornecido pelo cliente, a equipe interna precisou estruturar, do zero e

QUE VALOR SOBREVIVE

Dez dias antes do lockdown, com 120 pessoas e uma operação estreando, a Unite

escolheu cuidar primeiro. Foi assim que descobriu quais valores eram de verdade.

A UMA CRISE?

em tempo recorde, todo o conteúdo pedagógico e metodológico para capacitar remotamente dezenas de novos contratados. Não houve receita pronta nem caminho fácil. A dúvida, inevitavelmente, tomou conta de muitas decisões. Encontrar o formato ideal de gestão, acompanhamento e comunicação à distância exigiu tentativas, erros e ajustes diários. Para muitos colaboradores, a transição para o home office foi dolorosa. Nem todos conseguiram se adequar à rotina do trabalho em casa, enfrentando desde desafios de infraestrutura pessoal até o desgaste psicológico do isolamento. Trocar desktops por notebooks a marchas forçadas enquanto se contornava o pânico generalizado gerado pela COVID-19. Mesmo com as oscilações e os momentos de incerteza que acompanharam esse processo de aprendizado, a resiliência da equipe prevaleceu. A Unite, que até então só conhecia a operação presencial, não apenas colocou a Univesp no ar no dia marcado, como transformou a crise em um laboratório vivo de inovação e empatia.

O LEGADO QUE PERMANECEU

O resultado do que parecia um salto no escuro virou um marco divisor de águas. A operação não apenas prosperou desde o primeiro dia, como abriu caminhos para a chegada de novos clientes e novas frentes de negócios, todas integradas com sucesso ao formato Home Office. Mesmo quando a legislação desobrigou as empresas de teleatendimento do trabalho remoto, a Unite tomou a decisão consciente de manter a modalidade. A razão foi simples: percebeu-se que o maior patrimônio da empresa nunca esteve preso às quatro paredes do escritório ou a uma Posição de Atendimento (P.A.) física. “A pandemia nos mostrou que o essencial não é a estrutura de concreto, mas a união entre planejamento, estratégia e engajamento. Quando cuidamos das pessoas primeiro, a qualidade da entrega se mantém impecável em qualquer lugar.” Humberto dos Santos.

A crise sanitária revelou que estruturas consideradas rígidas e imutáveis podem ser adaptadas rapidamente quando movidas por empatia e propósito. O que nasceu de uma necessidade de proteção transformou-se no modelo sustentável de trabalho que a empresa ostenta com orgulho até hoje.